14 de janeiro de 2026

Tesouro Direto para iniciantes: Selic, IPCA+ ou Prefixado?

“Tesouro Direto para iniciantes” costuma ser a busca de quem quer sair da poupança, mas tem medo de “investir errado”. Se esse é o seu caso, respira: o Tesouro Direto foi criado para democratizar o acesso aos títulos públicos federais, de forma simples, com valores acessíveis e compra pelo app do banco ou corretora.

Neste guia, você vai entender o que é, como funciona e, principalmente, como escolher entre Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado sem cair nos 3 erros clássicos do iniciante: comprar sem objetivo, vender no susto e ignorar taxas/impostos.

Quer entender mais rápido? Assista ao vídeo abaixo e depois continue com o passo a passo:

Aviso educativo: este conteúdo é informativo e não substitui orientação do seu banco/corretora. Investimentos têm riscos e os preços podem oscilar, especialmente se você vender antes do vencimento.


O que é Tesouro Direto (explicado sem complicar)

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, desenvolvido em parceria com a B3, para permitir que pessoas físicas comprem e vendam títulos públicos federais pela internet. Em outras palavras: ao investir, você está “emprestando” dinheiro ao governo e recebe uma remuneração por isso.

Por que tanta gente chama de “investimento seguro”? Porque ele está ligado à capacidade de pagamento do governo federal. Mas atenção: seguro não significa “sem oscilar”. Alguns títulos podem variar de preço no curto prazo (você vai entender isso na parte de marcação a mercado).

O básico que você precisa guardar

  • Título = um “contrato” com regras de rendimento e uma data (ou período) importante.
  • Vencimento = data em que o título termina e você recebe o valor final.
  • Resgate antecipado = vender antes do vencimento (pode dar certo ou dar errado).

Como você ganha dinheiro no Tesouro Direto

Existem três “formas” principais de rendimento para o iniciante:

  • Pós-fixado (Selic): acompanha a taxa Selic ao longo do tempo.
  • Híbrido (IPCA+): rende inflação (IPCA) + uma taxa de juros (ex.: “IPCA + X%”).
  • Prefixado: tem uma taxa fixa combinada na compra (ex.: “Y% ao ano”).

Essa diferença já responde metade da dúvida “Selic, IPCA+ ou Prefixado?”. A outra metade é: qual objetivo você tem e por quanto tempo consegue deixar o dinheiro quieto.


Tesouro Direto para iniciantes: Selic, IPCA+ ou Prefixado?

Vamos comparar do jeito mais útil: pelo objetivo e pelo risco de oscilação se você precisar vender antes do vencimento.

Tesouro Selic: o mais comum para reserva de emergência

O Tesouro Selic costuma ser usado para reserva de emergência porque tende a oscilar menos no curto prazo e é feito para o “dia a dia” de quem quer segurança e liquidez.

Quando faz sentido:

  • você está montando (ou reforçando) sua reserva de emergência;
  • você pode precisar do dinheiro a qualquer momento;
  • você quer um começo simples, com menos sustos.

Quando não é a melhor escolha: metas longas (10+ anos) em que você quer proteger o poder de compra contra inflação de forma mais direta — aí o IPCA+ costuma entrar no mapa.

Tesouro IPCA+: para longo prazo e proteção contra inflação

O Tesouro IPCA+ é o título que “fala a língua” do longo prazo: ele combina IPCA (inflação) + uma taxa de juros. Ele costuma ser escolhido por quem quer construir objetivos longos preservando poder de compra.

Quando faz sentido:

  • objetivos de longo prazo (faculdade, casa, aposentadoria);
  • você quer preservar o poder de compra (acompanhar a inflação).

Ponto de atenção: o preço do IPCA+ pode oscilar mais no caminho. Se você vender antes, pode pegar um preço ruim dependendo do mercado (isso é a tal marcação a mercado).

Tesouro Prefixado: quando você quer uma taxa fixa “travada”

O Tesouro Prefixado é o “título da previsibilidade”: você compra sabendo a taxa definida naquele momento. Ele pode fazer sentido quando você tem uma meta de prazo e acredita que a taxa oferecida é boa para o período.

Quando faz sentido:

  • você tem uma data-alvo (ex.: 2–5 anos) e quer saber a taxa desde o início;
  • você entende que vender antes pode gerar oscilação no preço.

Ponto de atenção: assim como o IPCA+, o Prefixado pode oscilar mais se você precisar resgatar antes do vencimento.


O maior susto do iniciante: “meu título caiu, perdi dinheiro?”

Essa é a dúvida mais comum. E a resposta é: depende do título e do seu prazo.

Nos títulos em que o preço oscila (principalmente IPCA+ e Prefixado), se você olhar todo dia, verá altos e baixos. Isso acontece porque, no resgate antecipado, o título pode ser recomprado pelo valor de mercado. Logo, a rentabilidade final pode ser diferente da taxa do dia da compra se você resgatar antes, por causa do preço no dia do resgate.

Marcação a mercado (tradução simples)

Marcação a mercado é a atualização diária do preço do título. É como se o título tivesse uma “etiqueta de preço” que muda conforme juros e condições do mercado. Isso não significa que você “perdeu” de verdade — a perda ou ganho se concretiza se você vender naquele momento.

Regra de ouro para dormir em paz

  • Reserva de emergência: prefira Selic.
  • Objetivo de longo prazo: IPCA+ costuma fazer mais sentido, mas com a disciplina de segurar até o vencimento.
  • Quer taxa fixa: Prefixado, mas evitando resgate antes do prazo.

Taxas e impostos no Tesouro Direto (para não ter surpresa)

Mesmo sendo acessível, o Tesouro Direto tem custos e tributos. O bom é que as regras são bem conhecidas e fáceis de acompanhar.

Taxa de custódia da B3

A B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos (provisionada diariamente). É um custo percentual pequeno, mas que existe — por isso, vale evitar “trocas” o tempo todo sem necessidade.

Imposto de Renda (IR) e IOF

O IR em renda fixa (incluindo Tesouro Direto) normalmente segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo você fica, menor a alíquota, indo de 22,5% até 15% sobre os rendimentos.

Além do IR, pode existir IOF se você resgatar em até 30 dias (regra comum de renda fixa). Em geral, é uma tabela regressiva que zera após 30 dias.

Importante: impostos podem mudar com novas regras legais. Acompanhe sempre fontes oficiais e o extrato da sua corretora/banco.


Como investir (passo a passo bem iniciante)

  1. Escolha onde investir: banco ou corretora habilitada.
  2. Abra conta e faça uma transferência (Pix/TED) para a conta de investimentos.
  3. Entre em “Renda Fixa > Tesouro Direto” (o nome do menu pode variar).
  4. Defina objetivo e prazo antes de clicar em comprar.
  5. Escolha o título (Selic, IPCA+, Prefixado) e o vencimento.
  6. Invista um valor pequeno primeiro para aprender o caminho e criar confiança.
  7. Depois de comprar, olhe no máximo 1 vez por mês (principalmente se for IPCA+/Prefixado), para não se sabotar com ansiedade.

Como escolher em 3 perguntas (método BizuGrana)

Antes de escolher qualquer título, responda:

  • 1) Para que é esse dinheiro? (emergência, meta, longo prazo)
  • 2) Quando eu vou precisar dele? (meses, anos, década)
  • 3) Eu aguento ver o valor oscilar no caminho? (sim/não)

Agora, use a “tradução”:

  • Se você respondeu emergência + posso precisar a qualquer momento + não quero sustosTesouro Selic.
  • Se você respondeu longo prazo + quero proteger contra inflação + consigo segurarTesouro IPCA+.
  • Se você respondeu meta com data + quero taxa fixa + aceito oscilar se vender antesTesouro Prefixado.

Exemplos práticos (3 cenários comuns)

Cenário 1: Reserva de emergência (R$ 3.000 a R$ 15.000)

Objetivo: estar disponível para imprevistos. Aqui, o foco é liquidez e estabilidade. O Tesouro Selic costuma ser o ponto de partida mais simples.

Cenário 2: Uma meta em 24–36 meses (viagem, curso, entrada do carro)

Objetivo: data definida. Se você precisa de previsibilidade, pode avaliar Prefixado ou Selic — mas sempre olhando o prazo e evitando vender antes por emoção.

Cenário 3: Aposentadoria/objetivo de 10+ anos

Objetivo: proteger poder de compra e crescer no tempo. O IPCA+ entra forte aqui, desde que você tenha disciplina para segurar até o vencimento e não se assustar com oscilações no meio do caminho.


Erros comuns de quem começa (e como evitar)

  • Erro 1: comprar sem objetivo. Correção: defina se é emergência, meta ou longo prazo.
  • Erro 2: vender no susto. Correção: entenda marcação a mercado e respeite o vencimento.
  • Erro 3: trocar toda hora. Correção: tenha um plano e revise mensalmente, não diariamente.
  • Erro 4: esquecer impostos. Correção: lembre que IR incide sobre o rendimento; IOF só até 30 dias.

FAQ — Tesouro Direto para iniciantes

1) Qual é o melhor Tesouro Direto para iniciantes?

Para muitos iniciantes, o Tesouro Selic é um primeiro passo por ser mais estável no curto prazo. Mas “melhor” depende do seu objetivo e prazo.

2) Tesouro Direto é garantido?

Ele é um título público federal, ligado ao governo. Isso reduz alguns riscos, mas não elimina oscilações de preço se você vender antes do vencimento.

3) Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

Se você vender antes do vencimento, pode haver ganho ou perda por causa do preço de mercado no dia do resgate (marcação a mercado). Mantendo até o vencimento, vale a regra de rentabilidade do título.

4) Tem taxa para investir no Tesouro Direto?

Existe taxa de custódia da B3 (0,20% ao ano). Além disso, sua corretora/banco pode ou não cobrar taxas próprias (confira na instituição).

5) Como funciona o Imposto de Renda?

Em geral, segue a tabela regressiva da renda fixa: quanto mais tempo, menor o imposto sobre os rendimentos.

6) IOF vale para Tesouro Direto?

Sim. Se você resgatar em até 30 dias, pode haver IOF sobre o rendimento, como em outras aplicações de renda fixa.

7) Preciso de muito dinheiro para começar?

Não. Em geral, dá para começar com valores baixos, comprando frações do título, dependendo do banco/corretora e do título disponível.


Conclusão

Se você quer começar no Tesouro Direto do jeito certo, faça simples: defina o objetivo, escolha o título que combina com o prazo e evite olhar o preço todo dia. Para a maioria dos iniciantes, a jornada começa com o Tesouro Selic (reserva) e evolui para IPCA+ (longo prazo) quando a disciplina melhora.

Próximo passo: abra sua corretora/banco, procure “Tesouro Direto”, e comece com um valor pequeno — o objetivo é aprender o caminho e construir constância.

Leitura recomendada (BizuGrana):

Fontes oficiais e úteis:

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